Vendas represadas motivam alta de 12% nas concessionárias

No setor de veículos 0km, vendas realizadas entre 45 e 90 dias atrás são contabilizadas em maio;


As vendas de veículos zero quilômetro aumentaram 35,97% em maio em relação a abril. Já nos cinco primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período do ano passado, a alta foi de 12,71%. Perguntados se os números são indicadores de recuperação, os representantes do setor são unânimes em afirmar que o aumento se dá sobre uma base de comparação muito fraca, já que o início de 2020 reflete o princípio da pandemia do coronavírus.


Diretores da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos) - Regional Mato Grosso – enfatizam que é preciso levar em conta o fato de a produção de veículos ainda não acompanhar a demanda, por isso, as vendas confirmadas mais recentemente são as represadas, ou seja, vendas efetivadas antes e concluídas depois.


Automóveis e comerciais leves

Nos segmentos de automóveis e comerciais leves, Mato Grosso emplacou 3.942 unidades em maio, contra 3.454 em abril. No acumulado do ano, a soma é de 18.596 unidades. Já o mesmo período de 2020 soma 15.368 emplacamentos.

“Em resumo, a concessionária tem trabalhado com pedidos anteriores e dependendo da indústria para entregar. É como se não ‘precisássemos’ do time de vendas, já que a entrega adiada anteriormente é que resulta num aumento dos emplacamentos”, ilustra Cláudio Bagestan, do Grupo Vianorte e diretor da Fenabrave-MT, sobre o segmento de automóveis e comerciais leves.


Com lojas de várias marcas, Edson Maia, diretor da Fenabrave-MT e do Grupo Saga, afirma que dentre suas lojas apenas uma tem estoque. “Este estoque gira rápido. Nas demais concessionárias, o que faturam é só para entregar pedidos anteriores. Há muitos clientes esperando”, esclarece.


Caminhões

Em maio esse segmento emplacou 415 unidades, enquanto abril registrou 291, um aumento de 42,61%. No acumulado do ano, o crescimento registrado é de 54,28%, considerando que de janeiro a maio emplacou-se 1.691 unidades contra 1.196 no ano passado.


O segmento de caminhões também confirma a falta de estoques. Lideranças do setor acreditam na possibilidade de crescimento nas vendas ainda este ano mediante maior atividade das montadoras. E também esse mercado está aquecido por conta da agricultura, conforme diz Artur Fittipaldi, diretor da Fenabrave-MT e diretor comercial da Torino Caminhões.


Segundo Fittipaldi, todos os veículos que chegam às lojas já estão negociados. “Maio foi um ótimo mês considerando a pandemia. Para o setor de transportes, creio que teremos um 2021 com tendência de manter os mesmos volumes e com possibilidade de crescimento, porém tudo depende do retorno das montadoras”, completa.


Implementos rodoviários

“Se há espera no segmento de caminhões, há espera também para instalação de implementos rodoviários”, ratifica Antonio Menegassi, diretor da Fenabrave e na empresa Noma. O segmento comercializa componentes do caminhão responsáveis pela função específica do transporte de cargas, tais como reboques, semi-reboques e carrocerias. Em maio o segmento cresceu 4,46%, ao emplacar 702 unidades. No acumulado do ano, o crescimento é de 46,42%, com 3.315 unidades.


Motocicletas

As entregas de motos dispararam nas lojas. Maio emplacou 3.692 unidades e 2.100 foram entregues em abril, uma alta de 75,81%. Por outro lado, quando se avalia o acumulado do ano, o setor ainda registra saldo negativo de -8,19%. “Tem demanda, mas as concessionárias estão sem estoque. Há uma espera de 45 dias, em média, para a entrega. As altas são em face de melhora no volume de fabricação do produto, porém ainda para atendimento a clientes que negociaram entre março e abril”, destaca Ronan Alves, gestor na Mônaco Motos e diretor da Fenabrave-MT.


Linha Amarela

O segmento de linha amarela também precisa oferecer ao cliente explicações sobre o prazo de entrega. “Os fabricantes encontram dificuldades para atenderem aos pedidos. Faltam componentes para montagem e ainda há o aumento da demanda. A alta procura por equipamentos, baixa oferta e câmbio nas alturas fizeram com que os preços disparassem”, pontua o diretor da Fenabrave-MT, Manfredo Silva, gerente comercial da Sotreq.


Simone Alves Ass. de Imprensa Fenabrave-MT